Mulheres brasileiras na Flórida – desafios e conquistas

As mulheres representam uma força produtiva e criativa para a comunidade brasileira
do sul da Flórida. e a maioria delas são mães e não podíamos deixar de homenageá-las neste dia tão especial, dando os parabéns por suas conquistas e também alertando para os desafios da imigração.

Atualmente existem 500 mil brasileiros na Flórida, grande parte dessa população é composta por mães, mulheres que representam uma parcela significativa da população, não apenas como companheiras, esposas e mães, mas empreendedoras, força de trabalho e inspiração.

Selecionamos duas representantes da comunidade brasileira, a integrantes da comunidade para traçar um perfil das emigrantes e saber na visão delas quais os principais desafios e conquistas das nossas
representantes na Terra do Tio Sam.

Conversamos com a baiana Suzanne Thorson, fundadora da empresa Brazilian Beat e assessora artística e cultural da Brazil International Foundation. E com a carioca Mônica Ribeiro, há 28 anos nos Estados Unidos, atual vice-presidente do Banco do Brasil, membro do Conselho de Cidadãos do Consulado do Brasil em Miami, e ex-presidente do Brazilian Business Group por duas gestões. Duas vozes em campos diferentes de atuação, mas com igual paixão pelos serviços comunitários e a cultura brasileira, que falam de suas trajetórias e atuação na comunidade brasileira da Flórida.


Como começou a trabalhar pela comunidade brasileira na Flórida? 


Mônica Ribeiro (MR): Em 1988, eu me mudei para os Estados Unidos com meu marido
e comecei minha carreira no setor de varejo como compradora, gerente e diretora de
operações de varejo antes de ingressar no setor de finanças há 25 anos. Além da
paixão pelas finanças também sou apaixonada por serviços comunitários e dedicar
tempo engajando e ajudando a comunidade empresarial porque acredito em conectar
pessoas, construir parcerias, desenvolver relacionamentos e criar oportunidades.

Suzanne Thorson (ST): Moro nos EUA desde 2007.  Como sou casada com Americano,
no início eu sentia muita falta da nossa cultura, nossa gente, nosso jeito de interagir e
fazer negócio.  Então, comecei a buscar grupos que poderiam facilitar o processo de
adaptação, encurtando o caminho a trilhar.  Fui apresentada ao BBG e desde então só
tenho a agradecer por fazer parte dessa comunidade tão ativa e inclusiva. Também fui
palestrante de eventos para o BBG Asia (Japão) em 2018 e 2019.

Qual o perfil da mulher imigrante brasileira na Flórida?

MR:  Vejo com muita frequência mulheres emigrando sozinhas, mas a maioria ainda
vem acompanhando a família. Seu papel não é de antagonista e seu desejo de
aprender e contribuir para o sucesso da família as tornam protagonistas de suas
histórias.
ST: Mulher é essencialmente mulher, em qualquer lugar do mundo.  A mulher que
emigra, entretanto, tem que ser ainda mais guerreira, pois precisa se
reinventar. Torna-se imperativo adaptar-se aos novos costumes, reaprender a falar,
escrever, agir de forma a ser melhor compreendida nesse “novo mundo” a que passa a
pertencer.  

Que tipos de empreendimentos as brasileiras têm maior sucesso nos EUA,
especialmente na Flórida?
 


MR: Vejo mulheres brasileiras atuando em várias áreas, procurando sua realização
profissional através de treinamentos. Muitas executivas em grandes empresas e
também profissionais liberais.  Mas é na  indústria da beleza e da estética aonde
muitas encontram o sucesso na terra do tio Sam.


E culturalmente falando, acha que a brasileira gosta de manter as tradições e
costumes assim como as artes do seu país?

ST: Creio que sim. Sentimos falta da nossa comida, ritmo, cores e sabores.  Fui
ovacionada durante a entrega do prêmio “Focus Brasil 2019” no Broward Center for
the Performing Arts, quando durante meu discurso afirmei “agente pode sair do Brasil,
mas o Brasil não sai da gente” Pura verdade! Agente traz um pedacinho do Brasil
conosco.

Suzanne Thorson é mãe e empreendedora e também consultora artística
e cultural da BIF. Na foto com a jornalista Fátima Bernardes

Me conta um pouco da sua própria experiência e como tem contribuído para ajudar
outras mulheres recém-chegadas?

Cheguei em 1988 numa época que ainda não tinham muitos brasileiros, a partir
de 1990 isso mudou. Vim a convite de minha mãe que já morava aqui pois era casada
com americano. Tive o privilégio de ter minha mãe como mentora o que me ajudou na
adaptação. Estudei e procurei me “adaptar” a cultura americana, mas sempre
valorizando minha raiz brasileira. Fui pioneira na indústria financeira no Sul da Florida,
sendo a primeira gerente geral de agencia bancaria “brasileira’, numa época onde a
grande maioria eram homens anglo-saxões, brancos, enfim eu destoava, mas foi com a
minha criatividade e determinação, me destaquei e cresci na carreira. Tenho ajudado
muitas outras mulheres através de várias organizações que participo principalmente
através do Brazilian Business Group (BBG), direcionando, e com mentorias
especifica.


ST: Fundei o “Brazilian Beat” com o intuito de promover nossa cultura.  O ritmo dos
tambores, um samba coreografado e figurino de primeira.  Espetáculos de imersão
cultural, bastante interativos – oportunidade de trabalho para vários artistas recém-
chegados.
Através do BBG e BIF, promovemos diversos eventos. Oportunidade de network e
apoio às causas em que acreditamos. Por exemplo, dia 30 de março fizemos um
evento para celebrar o mês das mulheres, onde parte da verba arrecadada foi doada a
instituições de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade. O evento contou
com a presença do Cônsul Geral do Brasil em Miami, Embaixador André Odenbreit
Carvalho.

Qual a importância do BBG e do BIF especialmente para mulheres brasileiras?
MR: Sem dúvida é uma organização que tem como missão trazer o conhecimento
através de palestras e oferece oportunidades de negócios, através de relacionamentos
entre nossos membros e parceiros incluindo agencias governamentais americanas.

ST: Suprema importância, pois somente com o respaldo de entidades sérias e
respeitadas no sul da Flórida é possível trilhar um caminho mais sereno.  A
comunidade serve de campo neutro onde podemos trocar experiências, buscar
diretrizes, aprender e crescer.  A Fundação promove cursos, um Summit anual,
almoços e diversos encontros.

Para você, quais os principais desafios da mulher atual e especialmente as
emigrantes?

MR: O maior desafio que todos nós imigrantes encontramos é a adaptação e aceitação
da nova cultura. Não é somente aprender o idioma e sim entender e mudar o mindset
para encontrar o sucesso nos Estados Unidos.


ST: A mulher tem que seguir lutando para ser valorizada profissionalmente (com
remuneração equivalente ao homem ocupando a mesma função).  Concordo com a
Mônica, é preciso mudar totalmente o modo de pensar para se adaptar à um cenário
corporativo bem diferente do Brasil. Educação para conseguir competir de igual para
igual.

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